A mão esquerda da escuridão, de Ursula K. Le Guin

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A mão esquerda da escuridão | Aleph, 2014

A leitura do mês de março do LITERARY HURRICANE foi A mão esquerda da escuridão, livro do qual eu já esperava muito, mas que, mesmo assim, conseguiu me surpreender positivamente e me deixar curiosa para conhecer a obra completa de sua autora. Ursula K. Le Guin é uma das maiores escritoras de Ficção Científica do século XX/XXI, e recebeu uma série de prêmios por A mão esquerda da escuridão, entre eles os conhecidos Nebula e Hugo, e a obra de fato faz por merecer. Temos, aqui, um autêntico clássico da Ficção Científica que deixa muitos de seus colegas no chinelo.

Este é um daqueles livros em que nos vemos caindo de paraquedas no meio de um mundo que não entendemos, no caso, o planeta Inverno, onde até o tempo é contabilizado de uma forma estranha para nós. Mas não estamos sozinhos, pois Ali, nosso protagonista, é um viajante de outro planeta que busca se adaptar e entender aquele lugar, enquanto buscar realizar uma determinada missão. Le Guin nos dá a oportunidade, desse modo, de compreender aquele mundo pelos olhos de um personagem muito semelhante a nós, humanos, porém completamente estrangeiro àquele mundo ao qual ele se vê obrigado a se adaptar.

Outro ponto que colabora para o brilhantismo deste livro é a discussão sobre gênero que a autora propõe, de forma muito natural, ao explorar a dificuldade que nosso protagonista tem para lidar com a ambissexualidade do povo que habita o planeta Inverno, assim como uma discussão muito interessante (e praticamente inexistente em outras obras do gênero) de fundo feminista sobre a posição da mulher em sociedades não-ambissexuais.

O ponto de vista de A mão esquerda da escuridão, no entanto, não fica restrito a Ali, pois temos oportunidade de acompanhar, ao longos de seus X capítulos, diversos pontos de vista, o que nos dá uma certa onisciência dos fatos que nem Ali possui. Le Guin constrói, desse modo, uma cadeia de acontecimentos, nos impedindo de ver os eventos que ocorrem apenas por um lado; somos obrigados, querendo ou não, a examinar diversos lados de um mesmo momento político daquela sociedade.

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