TOP 5: autoras para março

Com o mês que acabou de terminar, março, sendo o mês das mulheres, não poderíamos deixar de falar das autoras que amamos e que trouxeram um pouco do seu brilhantismo às nossas vidas. Como de costume aqui no LITERARY HURRICANE, esta é uma lista variada, que inclui autoras de diversos gêneros, culturas e estilos literários — algo que consideramos fazer jus à variedade de maneiras das quais as mulheres contribuem para enriquecer o mundo em que vivemos. Esperamos que essas dicas fechem o mês de março com chave de ouro!


Fred Vargas
por Joana Diniz

Fred Vargas é minha autora favorita. Disparada. Sem concorrência.

“Fred Vargas” é, na verdade, Frédérique Audoin-Rouzeau, uma arqueóloga medievalista especializada na Peste Negra que toca acordeão e escreveu seu primeiro romance durante uma escavação, porque precisava relaxar. Publicou no melhor espírito Vai Que™ e acabou ganhando um prêmio, já de cara.

Sensacional, né? E com todos os motivos: ela escreve romances policiais — é considerada a Dama do Crime na França — que sempre envolvem alguma anedota histórica, sejam lendas locais ou fatos consumados, como a própria Peste. Escreve com uma maestria que parece que está te contando pessoalmente a história, enquanto você e ela estão num confortável café francês, comendo croissants. É começar a ler e não conseguir parar! Seus livros se dividem principalmente em duas séries: a dos Evangelistas (três historiadores com especializações diferentes que estão desempregados em suas áreas, têm os nomes dos evangelistas e acabam ajudando a solucionar crimes? Isso mesmo, infelizmente nunca traduzida para o português) e a do Comissário Adamsberg, um comissário de polícia que usa métodos não-ortodoxos (ele pensa de um jeito lento, faz conexões inusitadas entre informações e é bem bacana ver o raciocínio se formando), e sua equipe solucionando crimes em Paris e arredores. Seis livros dessa série foram traduzidos pela Companhia das Letras — e espero que mais estejam por vir! — entre os quais meu favorito é Fuja logo e demore para voltar (Pars vite et reviens tard).

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Zadie Smith
por Maíra Protasio

Essa coisa de escolher uma autora favorita de todos os tempos é difícil para mim, mas, se eu fizesse um top 10, a Zadie Smith certamente estaria nele. Ela foi uma autora que conheci por acaso: me deparei com Sobre a beleza (On Beauty) em um biblioteca, peguei para ler e me apaixonei. Desde então, já li também Dentes brancos (White Teeth) e Swing Time (ainda sem previsão de lançamento no Brasil), os quais só serviram para reafirmar o brilhantismo dessa escritora.

A narrativa de Zadie Smith é complexa, densa e reflexiva, sem, no entanto, deixar de ser fluida e empolgante. Ela escreve livros longos, lembrando os romances mais tradicionais do século XIX em sua forma, e sempre buscando dar espaço ao maior número de personagens e arcos dramáticos possível. O interessante é que ela usa essa estrutura mais tradicional para discutir assuntos muito atuais. Em Sobre a beleza, por exemplo, vemos uma debate sobre a poesia de rua, na forma do rap, versus a arte tradicionalmente valorizada pela Academia. Em Dentes brancos, ela discute, de forma bem diferente da que estamos acostumados a ver, os limites da ciência e da fé religiosa. Seus livros são impactantes, transformadores e, ao mesmo tempo, divertidos, o que é exatamente o tipo de equilíbrio que eu, pessoalmente, sempre busco em minhas leituras.

2


Erika Johansen
por Raquel Costa

Apesar de não ser a minha autora favorita de todos os tempos — vou ser obrigada a ceder ao clichê e confessar que Jane Austen tem esse posto —, Johansen é, sem dúvida, minha autora “debutante” favorita. Ela só escreveu uma série — os três livros que começam com A rainha de Tearling —, mas já foi o suficiente para me cativar completamente. Os livros dessa série seguem um padrão clássico para bons livros de fantasia: são extensos; no primeiro, te introduzem a um mundo incrivelmente bem construído e a personagens complexos de maneira lenta e cuidadosa; enriquecem esse mundo e introduzem ações importantes no segundo; e trazem um final que se entrelaça perfeitamente, conseguindo te surpreender completamente, no terceiro.

Mas, apesar do estilo clássico, as temáticas estão longe disso. Em um cenário claramente inspirado na era medieval, Johansen consegue apresentar com maestria temas políticos extremamente delicados e atuais — como violência contra a mulher, as múltiplas faces do feminismo, liberdades constitucionais e intervenção governamental, e disparidades sociais —, junto de temas emocionais e extremamente pessoais para qualquer leitor — como relações familiares e a maneira que a nossa identidade muda nos diversos ciclos da nossa vida. Kelsie, a protagonista, é forte, humana, esperançosa e realista, tudo ao mesmo tempo. É uma série linda, completa e importante, e eu ainda penso nela, mesmo meses após a leitura.

3


Chimamanda Ngozi Adichie
por André Caniato

Adichie não é exatamente uma desconhecida. Entre (excelentes) palestras na TED e uma participação no penúltimo álbum da Beyoncé, a autora nigeriana tem, hoje em dia, um status de celebridade. Além disso, ela conta também com um mestrado pela Yale, um prêmio do National Book Critics Circle e, desde 2008, uma MacArthur Fellowship, ou seja, suas referências não são nada fracas. Em seus livros, fala de raça, de feminilidade e de feminismo, com histórias e personagens bem reais, que mexem com a gente de uma forma inacreditável.

Descobri Adichie por um acaso, quando fazia um trabalho para a faculdade e, procurando material sobre visões diferentes em relação a diferentes textos, encontrei a palestra The Danger of a Single Story (“O perigo de uma história única”, em tradução livre), de 2009, na qual a autora fala sobre como é perigoso enxergar pessoas, povos, histórias por um único ponto de vista, um estereotipo. É uma fala que me fez pensar muito e carrego comigo desde então, parando para rever de tempos em tempos. Procurei Hibisco roxo pouco depois, me apaixonei e não parei mais.

Dos seus seis livros, cinco contam com edições no Brasil: Hibisco roxo, Meio sol amarelo, Americanah, Sejamos todos feministas e Para educar crianças feministas, todos pela Companhia das Letras.

4


Ursula K. Le Guin
por Raquel Costa (escolha do grupo)

Como bônus, gostaríamos de falar um pouco da maravilhosa mulher que escreveu o livro escolhido para a leitura de março do LITERARY HURRICANE. Francamente, não poderíamos ter feito uma escolha melhor para representar as autoras mulheres. Em primeiro lugar, suas credenciais falam por si só: ganhou múltiplos prêmios Nebula, Hugo, Locus e World Fantasy, foi nomeada uma Grandmaster de Sci-fi, e recebeu a medalha anual da Academia Americana de Letras pelas suas contribuições à Literatura em 2014. No entanto, não gostamos dela porque é aclamada pela crítica, mas, sim, pelo conteúdo e qualidade do que escreve. Seus livros, além de entreterem, trazem reflexões importantes sobre gênero, política, religião, sexualidade e meio-ambiente. Ela aproveitou a bagagem que herdou de seus pais, o antropólogo Alfred Louis Kroeber e a escritora Theodora Kracaw, para criar mundos incríveis e jamais imaginados, mas, ainda assim, coerentes e relevantes para a nossa própria cultura.

Le Guin tinha somente 11 anos de idade quando sua primeira história foi rejeitada por uma revista literária e, mesmo depois de muitas outras rejeições, nunca abandonou seus conceitos inovadores. Suas obras são conhecidas pela diversidade muito antes de isso ser um tema popular, por exemplo. E, mesmo quando as suas ideias lhe conduziam para um mundo pouco acessível para mulheres, o da ficção científica, ela perseverou — recentemente, foi descrita pelo New York Times como “a maior autora de ficção científica da atualidade”, de ambos os sexos. Essencialmente, a admiramos por ser alguém que acreditou e manteve a sua visão, mesmo quando o mundo em que vivia não lhe favorecia. E ainda hoje, os 87 anos, ela continua escrevendo, publicando, e vivendo de maneira inovadora e engajada. Isso, sim, é um exemplo a ser seguido.

Em português, além de A mão esquerda da escuridão, você pode encontrar outros 6 livros dentro do mundo Ecuménio, incluindo os premiados Os despossuídos e Floresta é o nome do mundo, os 5 livros do Ciclo de Terramar, que começa com O feiticeiro de Terramar, e os ganhadores do Locus O tormento das trevas e Lavínia, entre outros.

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